terça-feira, 11 de setembro de 2012

Saudade?

Oi!!

Hoje, dia 12 de setembro de 2012, faz um mês que eu saí do Brasil para vir para os Estados Unidos. Neste primeiro mês, muitas coisas aconteceram, mas apesar de toda a mudança, em momento algum eu quis voltar pra casa... até dois dias atrás.
Vocês devem estar se perguntando: Ela não vai contar sobre o treinamento? Sobre o encontro com a host family? Sobre a cidade? Sobre a faculdade? 

E a resposta é sim... eu vou contar tudo isso. Meu próximo post seria sobre o treinamento. Acontece que algo muito triste aconteceu comigo.

Eu tenho três avós. Uma é a mãe do meu pai, que mora na Bahia, mas eu não me lembro do rosto dela. Nunca fui visitá-la, o que me faz ter vergonha agora que estou aqui. Minha desculpa era de que a Bahia era muito longe de São Paulo. Mas hoje eu estou nos Estados Unidos, o que é o dobro do caminho. E moro com estranhos. Sim, eu tenho vergonha de mim.

Minha outra avó mora no Paraná, quase em Santa Catarina. Ela é mãe da minha mãe. Minha avó querida, que faz a melhor comida desse mundo. A avó que eu passei anos sem ver, mas que agora vejo pelo menos uma vez ao ano (com exceção desse próximo ano, né?). 

Finalmente, minha terceira avó é mãe da minha madrinha... Essa é a vó que eu cresci por perto. É a avó que eu fui passar os Natais junto, que fazia comidas maravilhosas na Páscoa, aniversário, Ano Novo. A avó que me viu crescer detalhadamente, dia após dia. A avó que não tem o mesmo sangue que eu, mas não deixa de ser a minha avó. 

Uma semana antes de embarcar, fui ao hospital visitá-la e fiquei muito triste naquele dia. Minha madrinha e eu choramos juntas, porque ela já não estava bem. Eu fui embora com a sensação de que aquela era a última vez que eu estava vendo a minha tão querida terceira avó... e, para piorar a situação, ela estava sofrendo muito, o que me fez sofrer mais ainda.

Eu vim para os Estados Unidos, mas não deixei de pensar nela e na minha madrinha. Um dia eu estava olhando a timeline no facebook e vi uma frase que dizia: 

"Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela." (Santa Terezinha)

No mesmo momento eu pensei nelas... o quanto as amo e o quanto era ruim estar longe delas. Eu me senti aliviada ao ler essa frase. Eu não sou muito religiosa. Por muito tempo eu fui à igreja e rezava todos os dias ao acordar e antes de dormir. Mas eu sempre encontrei dificuldades para pedir à Deus proteção para as pessoas que eu amava. Minha família é grande. Só por parte de mãe, tenho quase 50 primos... como pensar em cada um deles e pedir proteção em uma noite? Por isso essa frase me aliviou. Pensar em alguém que amo significa que me importo com a pessoa e realmente quero o bem dela. Nos últimos meses eu pensei muito na minha avó, até mesmo sonhei com ela por inúmeras noites. Agora eu sei que o tempo todo eu só quis o bem dela e sempre desejei que tudo ficasse bem logo. 

Desde que cheguei aqui, tenho pensado muito nelas. Toda vez que eu falava com a minha mãe no Skype eu pedia para ela ligar para a minha madrinha no dia seguinte e ver se estava tudo bem. E as coisas sempre estavam iguais. 

Na última segunda-feira, dia 10 de setembro de 2012, meu irmão me contou, pelo facebook, que ela havia falecido. Eu já sabia que isso aconteceria enquanto eu estivesse aqui, mas fiquei muito triste. Na hora eu peguei meu cartão telefônico e liguei para a minha mãe, no trabalho dela. Ela ainda não sabia. Eu estava chorando, ela pensou que tinha acontecido alguma coisa aqui nos Estados Unidos. 
Tentei ligar para a minha madrinha... nada. Até agora, dois dias depois, não consegui falar com ela. Comprei créditos no skype, liguei em todos os telefones possíveis que tenho dela, mas não a encontrei. Eu entendo. Ela está cansada, tinha milhões de coisas para resolver e agora merece seu descanso e seu tempo de luto. Eu só queria que ela soubesse que eu estou aqui, pensando (rezando) por elas. 

Eu sou feliz aqui. Eu tenho uma host family espetacular. Mas ontem, só ontem, eu quis voltar correndo. Eu desejei estar ao lado da minha madrinha num momento tão difícil. Ela esteve comigo a vida inteira... primeiro namorado, vestibular, primeiro emprego, primeiro tudo. Eu queria estar com ela. 
Foi a pior sensação do mundo. Eu sabia o tempo todo que isso aconteceria cedo ou tarde, só não sabia que seria tão dolorido. Eu sabia que não adiantava nada pegar um avião correndo pra voltar. O pior, aliás, o melhor, já aconteceu... 

Eu sofri sozinha. Eu não consegui dormir. Eu chorei por horas de madrugada. Eu dormi no sofá. Minha host mom, ontem pela manhã, me viu dormindo no sofá. Quando eu acordei, já voltei a chorar... ela me abraçou, me disse palavras de conforto e me mandou ir para cama dormir. Era meu dia de trabalho, por isso eu agradeço o dobro pela atitude dela de permitir que eu fosse dormir ao invés de trabalhar daquele jeito. Eu dormi o dia inteiro. Acordei ainda muito triste. Liguei para a minha mãe, para o meu namorado. Gastei quase todo o meu crédito do skype. Eu me senti sozinha. Eu queria alguém pra conversar... eu tinha a minha host family, mas eu queria falar Português... 
Decidi ir para academia, onde encontrei a Sabrina e a Barbara. Eu falei Português, eu me distraí... mas chegando em casa eu percebi que eu queria a minha família. Nada como alguém para compartilhar a mesma dor! E agora aqui estou, sem sono algum.

Falei com a minha irmã no facebook e contei o que tinha acontecido. Disse que estava sendo difícil e ela me disse a coisa mais sincera que alguém poderia dizer:
"Nós deveríamos crescer aprendendo a não sofrer quando alguém morre, afinal, estamos indo viver algo realmente melhor do que a vida na Terra. Ela não sofre mais."

É a mais pura verdade... por que a nossa sociedade ensina a sofrer quando alguém morre? É péssimo nunca mais ver a pessoa, é verdade, mas se a dor e o sofrimento dela acabaram, eu devo ficar mais aliviada por ela? 
São muitas questões, muitas coisas. Mas eu estou melhor. Minha vida continua e eu jamais esquecerei de cada momento que tive com ela. 

Minha Vó Irene, querida. Eu sempre te amei e sempre vou te amar. Deus esteja com você para que vocês possam, juntos, olhar por todos nós que ficamos aqui. 

Quero agradecer pelo carinho da minha host family esses dias.
Para a Sabrina Zemuner e Barbara Morgado pelos momentos bons na academia.
Mariana Peres por toda sua fofura e preocupação comigo esses dias todos, me encorajando a fazer tudo!
Ao grupo de embarque em agosto/2012, vocês foram sempre muito lindas comigo. Antes, com o meu pai e agora com a minha avó. Ah, não posso esquecer de todo o período antes do embarque, né? Vocês são demais.

Um grande beijo!


2 comentários:

  1. Nao vale fazer a amiga chorar com o post!! A essa hora da manha!! Ma, com cada coisa que acontece na nossa vida a gente aprende um pouquinho, estar aqui e passar por tudo isso eh um baita aprendizado, e voce se mostrou muito forte com isso tudo, e eu me orgulho de ser sua amiga!!
    Fica com Deus,
    Mari

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    1. Hahahaha vale sim, chorar as vezes é bom!!!
      Cada dia que passa eu vejo o quanto nós somos fortes e que podemos sim passar por tudo isso, porque temos umas as outras para ajudar!!
      Foi um prazer imenso conhecer você e é maior ainda o carinho que tenho por você!! Adoro ser sua amiga!!
      Beijo, Mari!!!

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