Oi!!
Hoje,
dia 12 de setembro de 2012, faz um mês que eu saí do Brasil para vir para os
Estados Unidos. Neste primeiro mês, muitas coisas aconteceram, mas apesar de
toda a mudança, em momento algum eu quis voltar pra casa... até dois dias
atrás.
Vocês
devem estar se perguntando: Ela não vai contar sobre o treinamento? Sobre o
encontro com a host family? Sobre a cidade? Sobre a faculdade?
E
a resposta é sim... eu vou contar tudo isso. Meu próximo post seria sobre o
treinamento. Acontece que algo muito triste aconteceu comigo.
Eu
tenho três avós. Uma é a mãe do meu pai, que mora na Bahia, mas eu não me
lembro do rosto dela. Nunca fui visitá-la, o que me faz ter vergonha agora que
estou aqui. Minha desculpa era de que a Bahia era muito longe de São Paulo. Mas
hoje eu estou nos Estados Unidos, o que é o dobro do caminho. E moro com
estranhos. Sim, eu tenho vergonha de mim.
Minha
outra avó mora no Paraná, quase em Santa Catarina. Ela é mãe da minha mãe.
Minha avó querida, que faz a melhor comida desse mundo. A avó que eu passei
anos sem ver, mas que agora vejo pelo menos uma vez ao ano (com exceção desse
próximo ano, né?).
Finalmente,
minha terceira avó é mãe da minha madrinha... Essa é a vó que eu cresci por
perto. É a avó que eu fui passar os Natais junto, que fazia comidas
maravilhosas na Páscoa, aniversário, Ano Novo. A avó que me viu crescer
detalhadamente, dia após dia. A avó que não tem o mesmo sangue que eu, mas não
deixa de ser a minha avó.
Uma semana antes de embarcar, fui ao hospital
visitá-la e fiquei muito triste naquele dia. Minha madrinha e eu choramos
juntas, porque ela já não estava bem. Eu fui embora com a sensação de que
aquela era a última vez que eu estava vendo a minha tão querida terceira avó...
e, para piorar a situação, ela estava sofrendo muito, o que me fez sofrer mais
ainda.
Eu vim para os Estados Unidos, mas não deixei de
pensar nela e na minha madrinha. Um dia eu estava olhando a timeline no
facebook e vi uma frase que dizia:
"Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela." (Santa Terezinha)
No mesmo momento eu pensei
nelas... o quanto as amo e o quanto era ruim estar longe delas. Eu me senti aliviada ao ler essa frase.
Eu não sou muito religiosa. Por muito tempo eu fui à igreja e rezava todos os
dias ao acordar e antes de dormir.
Mas eu sempre encontrei dificuldades para pedir à Deus proteção para as pessoas que eu amava. Minha
família é grande. Só por parte de mãe, tenho quase 50 primos... como pensar em cada um deles e pedir
proteção em uma noite? Por isso essa frase me aliviou. Pensar em alguém que amo
significa que me importo com a pessoa e realmente quero o bem dela. Nos últimos
meses eu pensei muito na minha avó, até mesmo sonhei com ela por inúmeras
noites. Agora eu sei que o tempo todo eu só quis o bem dela e sempre desejei
que tudo ficasse bem logo.
Desde que cheguei aqui, tenho
pensado muito nelas. Toda vez que eu falava com a minha mãe no Skype eu pedia
para ela ligar para a minha madrinha no dia seguinte e ver se estava tudo bem.
E as coisas sempre estavam iguais.
Na última segunda-feira, dia
10 de setembro de 2012, meu irmão me contou, pelo facebook, que ela havia
falecido. Eu já sabia que isso aconteceria enquanto eu estivesse aqui, mas
fiquei muito triste. Na hora eu peguei meu cartão telefônico e liguei para a
minha mãe, no trabalho dela. Ela ainda não sabia. Eu estava chorando, ela
pensou que tinha acontecido alguma coisa aqui nos Estados Unidos.
Tentei ligar para a minha
madrinha... nada. Até agora, dois dias depois, não consegui falar com ela.
Comprei créditos no skype, liguei em todos os telefones possíveis que tenho
dela, mas não a encontrei. Eu entendo. Ela está cansada, tinha milhões de
coisas para resolver e agora merece seu descanso e seu tempo de luto. Eu só
queria que ela soubesse que eu estou aqui, pensando (rezando) por elas.
Eu
sou feliz aqui. Eu tenho uma host family espetacular. Mas ontem, só ontem, eu
quis voltar correndo. Eu desejei estar ao lado da minha madrinha num momento
tão difícil. Ela esteve comigo a vida inteira... primeiro namorado, vestibular,
primeiro emprego, primeiro tudo. Eu queria estar com ela.
Foi
a pior sensação do mundo. Eu sabia o tempo todo que isso aconteceria cedo ou
tarde, só não sabia que seria tão dolorido. Eu sabia que não adiantava nada
pegar um avião correndo pra voltar. O pior, aliás, o melhor, já
aconteceu...
Eu
sofri sozinha. Eu não consegui dormir. Eu chorei por horas de madrugada. Eu
dormi no sofá. Minha host mom, ontem pela manhã, me viu dormindo no sofá.
Quando eu acordei, já voltei a chorar... ela me abraçou, me disse palavras de
conforto e me mandou ir para cama dormir. Era meu dia de trabalho, por isso eu
agradeço o dobro pela atitude dela de permitir que eu fosse dormir ao invés de
trabalhar daquele jeito. Eu dormi o dia inteiro. Acordei ainda muito triste.
Liguei para a minha mãe, para o meu namorado. Gastei quase todo o meu crédito
do skype. Eu me senti sozinha. Eu queria alguém pra conversar... eu tinha a
minha host family, mas eu queria falar Português...
Decidi
ir para academia, onde encontrei a Sabrina e a Barbara. Eu falei Português, eu
me distraí... mas chegando em casa eu percebi que eu queria a minha família.
Nada como alguém para compartilhar a mesma dor! E agora aqui estou, sem sono
algum.
Falei
com a minha irmã no facebook e contei o que tinha acontecido. Disse que estava
sendo difícil e ela me disse a coisa mais sincera que alguém poderia dizer:
"Nós
deveríamos crescer aprendendo a não sofrer quando alguém morre, afinal, estamos
indo viver algo realmente melhor do que a vida na Terra. Ela não sofre
mais."
É
a mais pura verdade... por que a nossa sociedade ensina a sofrer quando alguém
morre? É péssimo nunca mais ver a pessoa, é verdade, mas se a dor e o
sofrimento dela acabaram, eu devo ficar mais aliviada por ela?
São
muitas questões, muitas coisas. Mas eu estou melhor. Minha vida continua e eu
jamais esquecerei de cada momento que tive com ela.
Minha
Vó Irene, querida. Eu sempre te amei e sempre vou te amar. Deus esteja com você
para que vocês possam, juntos, olhar por todos nós que ficamos aqui.
Quero
agradecer pelo carinho da minha host family esses dias.
Para a Sabrina Zemuner e Barbara Morgado pelos momentos bons na academia.
Para a Sabrina Zemuner e Barbara Morgado pelos momentos bons na academia.
Mariana
Peres por toda sua fofura e preocupação comigo esses dias todos, me encorajando
a fazer tudo!
Ao
grupo de embarque em agosto/2012, vocês foram sempre muito lindas comigo.
Antes, com o meu pai e agora com a minha avó. Ah, não posso esquecer de todo o
período antes do embarque, né? Vocês são demais.
Um
grande beijo!
Nao vale fazer a amiga chorar com o post!! A essa hora da manha!! Ma, com cada coisa que acontece na nossa vida a gente aprende um pouquinho, estar aqui e passar por tudo isso eh um baita aprendizado, e voce se mostrou muito forte com isso tudo, e eu me orgulho de ser sua amiga!!
ResponderExcluirFica com Deus,
Mari
Hahahaha vale sim, chorar as vezes é bom!!!
ExcluirCada dia que passa eu vejo o quanto nós somos fortes e que podemos sim passar por tudo isso, porque temos umas as outras para ajudar!!
Foi um prazer imenso conhecer você e é maior ainda o carinho que tenho por você!! Adoro ser sua amiga!!
Beijo, Mari!!!